

Lendo um post recente no blog Cota Zero, de minha amiga Maria Alice, que está cursando a graduação de arquitetura na Politécnica de Madrid, onde eu faço meu mestrado, resolvi postar aqui sobre um tema do qual já havia conversado com ela em outro momento, objetividade e bases verdadeiras na correção dos projetos de arquitetura na faculdade. E que complemento com outro assunto, relacionado à qualidade da arquitetura que se produz hoje em dia.
Li a correção de alguns trabalhos, que estão disponíveis na internet, e me deparei com uma qualidade crítica na qual se nota que não existe tanto a subjetividade, e a posição de "gostei" ou "não gostei" que imperava nas classes de projeto que eu costumava frequentar. Claro, havia críticas de qualidade, mas muitas delas impregnadas de ideologismos que já não têm mais seu lugar nos dias de hoje, e presas a formalismos ultrapassados e que muitas vezes resultam numa mesmice sem fim.
Falta no Brasil avançar para um ensino de arquitetura que tenha mais em conta questões do presente, não só formais, obviamente, mas que nos possibilitem outras maneiras de pensar o projeto arquitetônico, outras formas de abordar problemas antigos e novos. O resultado estético pode até ser parecido com o que já existe, ou não - o que a meu ver é melhor, mas o importante é saber pensar os problemas para dar-lhes as soluções que realmente os solucionem.
Continuando seguindo padrões que não resolvem nada, por exemplo, a habitação popular. Como comentou o prof. Edson Mahfuz, que tem o blog falando de arquitetura, no meu post Containers vs. Arquitetura, "ninguém nas esferas oficiais aproveita as boas idéias que existem por aí". O mundo está cheio de boas práticas, não para que as copiemos tal e qual estão feitas, mas para que nos inspiremos e saibamos aproveitar o que é válido, com visão crítica.
Ilustrando isso, continuamos aceitando que o governo coloque goela abaixo da população, sem renda nem conhecimento para contestar, moradias de baixíssima qualidade, que não são mais do que 4 paredes e um teto. Não têm considerações mínimas de conforto ambiental, integração urbanística e paisagística, não consideram impactos ambientais, não promovem integração social, e ainda auxiliam na criação de guetos na periferia das cidades, aumentando os problemas de transporte. O maior exemplo disso em São Paulo é o extremo da zona leste, com suas COHABs e CDHUs de baixíssima qualidade em todos os sentidos. Não comento nem o fato de ser sempre o mesmo modelo repetido a exaustão, como se todas as pessoas fossem iguais.
Até quando seguiremos assim? Será realmente tão dificil fazer arquitetura de qualidade? Ou será ingenuidade minha pensar que meu papel enquanto arquiteto é o de projetar espaços que trazem qualidade de vida àqueles que o ocuparão, considerando o espaço, o meio ambiente que ocupam de maneira a aproveitar suas potencialidades, e não aumentando suas deficiências?
Não sei, espero de verdade não estar errado.



1 comentários:
Pois é, esse fato é sério. E, a cada ano, centenas de arquitetos saem da faculdade que seria melhor nao terem entrado jamais. Espero, e nao deixarei de esperar nunca, que os alunos, os professores, os diretores e reitores, além dos arquitetos já formados, vejam com clareza o caminho que estao percorrendo nossos alunos e comecem a levar o ensino mais a sério.
Beijos!
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